Jornal da Canastra - Bambuí, 21 de Novembro de 2008





Bambuí 122 anos, fazendo a história acontecer

Hino Oficial de Bambuí
No oeste do chão mineiro Surgiu nossa Bambuí
Meu orgulho de brasileiro.
É o de ter nascido aqui.
Coro
Do São Francisco à grande serra
Dos nossos vales aos nossos montes
Nasceu uma grande Terra
De mui cristalina fontes
Seu passado foi de glória Nossos pais deixaram exemplo
Escrevendo nossa História
Edificando o nosso Templo
Bambuí, tem nas suas matas
Em seus campos e em seus prados
O murmúrio das cascatas Dos seus rios abençoados
Do Cruzeiro á Lagoa da Pedra
E ao Poço do Jacaré
Emerge um elo que não se quebra
Sustentando nossa fé.
Lá na roça e na cidade
Trabalhamos com devoção No caminho da Honestidade pela grandeza deste rincão.
Nesta terra bambuiense Onde o sol jorra mais luz
Vive um povo forte e valente
Brasileiros de Santa Cruz !
Bambuí , terra querida
Do nosso coração
Se acaso foi esquecida, Pedimos o seu perdão.
Letra e música de Jorge Leite (Lei Municipal 934,de 20/11/84
O historiador Raimundo José da Cunha Matos que passou por nossa região comentou em seu livro o seguinte sobre Bambuí em l823:
"O arraial de Nossa Senhora de Santana de Bambuí,está situado na margem direita do rio do mesmo nome,que entra na margem esquerda do Rio São Francisco, em terreno baixo e pantanoso. É pequeno e de casas humildes, fica à direita, e meia légua distante da estrada do Rio de Janeiro a Goiás, 3 léguas e meia desviado do Rio São Francisco, 58 de Ouro Preto."
Histórico
Em sua fazenda do Bamboí, o capitão-mor João Veloso de Carvalho deve ter-se estabelecido por volta de 1720, segundo se depreende dos termos da sesmaria, concedida em 1737. Na sua "Notícia” ao Pe. Diogo Soares, em 1731, o Alferes Moreira menciona esta fazenda como a última do São Francisco acima. Antônio Rodrigues Velho por aí também se estabeleceu pouco mais tarde. As sesmarias de ambos foram concedidas em 1737.
Houve várias explorações pela região.
O devassamento da região e seu povoamento mais intenso só tiveram lugar depois das entradas de Pamplona. Dando-se crédito às palavras do próprio Inácio Correia Pamplona, fez ele, ao todo, seis entradas. A primeira, em 1765, foi realizada com um grupo de gente disposta a fixar-se. A estes foram concedidas sesmarias de três léguas, assim de largura como de comprimento, em 1767. Outros foram se fixando nas sobras de terras, na paragem do Bambuí. A primeira providência dos novos moradores foi levantar a capela de Santa Ana, o que mereceu elogio do Conde de Valadares:
"Principiar pela casa de Deus fez muito bem."
A segunda expedição de Pamplona, com intuito de, sobretudo, dar combate a índios e negros aquilombados, deu-se em 1769; foi uma grande expedição, com cerca de 100 homens, além do capelão, cirurgião, botica e escravos. Pamplona organizou outra, em 1781, não indo além da Serra da Marcela, fazendo sindicância a respeito de uma denúncia de descobrimento de ouro. Outra entrada se fez, na ausência de Pamplona, embora por ele organizada; seguiu em 1782, sob a chefia do capitão João Pinto Caldeira, exclusivamente para combate a negros e caiapós. Pamplona an dou ainda pelo rio Dourados, pelo caminho de Para catu, teve seus encontros com soldados de Goiás.
Arraial
Em 1768, estava formado o arraial, e segundo informa o Cônego Trindade, baseado na Relação das Freguesias do Bispado, estava instituída a freguesia de Bambuí, por ato episcopal. E, o que era então comum, teve início a disputa pela posse do novo povoamento que surgia.
A Câmara de São José, por seu procurador, tomou posse da região, "nesta paragem da Matriz de Santa Ana do Bambuí", a 5 de julho de 1769. E, a 27 de agosto de 1770, "neste arraial da Senhora Santa Ana do Bambuí", verificou-se a ratificação da posse pela mesma Câmara.
O vigário e a Câmara de Pitangui tiveram também suas pretensões. Ao vigário de Pitangui, escreveu o Conde de Valadares uma carta, a 17 de outubro de 1770, na qual afirma: "fiz entrar para o Campo Grande, Bambuí e suas vizinhanças bastantes pessoas e os fiz arranchar nestas, mandando-lhes que todos concorressem para o estabelecimento de uma igreja..."
Em 1781,o vigário de Paracatu tenta apossar-se do arraial de Bambuí, para a diocese de Pernambuco.br /> Um pouco mais tarde, o vigário geral de Mariana tomava providências a favor do vigário de Bambuí, contra pretensões do vigário de São Domingos do Araxá, que pretendia anexar Bambuí à Diocese de Goiás.
O Conde de Valadares sempre tratou com especial deferência o Mestre de Campo Inácio Correia Pamplona; chegou a autorizá-lo a conceder sesmarias naquela conquista; e de fato, em 1769, Pamplona doou cento e tantas sesmarias. A criação oficial da freguesia verificou-se pelo alvará de 23 /01 de 1816.
Em 1867, durante a guerra Brasil/Paraguai, a Sra. Maria Rita de Jesus Magalhães, neta de Antônia Rita de Jesus Chaves (irmã de Tiradentes) e filha da Sra. Rosa Maria de Jesus Chaves, juntamente com seu irmão, Pe. Protásio Rodrigues Chaves de Magalhães, abrigaram 363 soldados voluntários ou indicados que haviam aquartelado em Bambuí. Esses soldados eram pessoas sem rumo, maltrapilhos, doentes, desnutridos e passando fome. Depois de acolhê-los a Sra. Maria Rita de Jesus Magalhães, e seu irmão Pe. Protásio lhes deram roupas, comida, medicamentos e apoio espiritual.Após algumas semanas já fortalecidos, recuperados, abastecidos de alimento, roupas e agasalhos eles foram conduzidos até ao local da grande batalha. Hoje o local onde as tropas permaneceram em Bambuí, chama-se Quartéis.
Em 1886,o Pe. Protásio juntamente com a Sra. Maria Rita de Jesus Magalhães e seu sobrinho, o Capitão Eliziário de Andrade Magalhães, com recursos próprios, deram início à ampliação da Igreja Matriz Nossa Senhora Santa Ana, construindo sua parte da frente e ao mesmo tempo anexando a parte de trás que era muito pequena.
O primeiro vigário colado, Pe. Domingos José Bento Salgado, extraordinário sacerdote, extremamente zeloso, depois de paroquiar por muitos anos, viveu o último quartel de sua vida encerrado numa dependência da igreja de N. Sra. da Conceição, construída à sua custa.
O município de Santana do Bambuí
Surgiu com a lei provincial nº 2.785, de 22 de setembro de 1881, quando Bambuí foi elevada à categoria de vila, com aquela denominação, isto é, Santana de Bambuí. A lei nº 3.387, de 10 de julho de 1886, deu a Bambuí a condição de cidade.
Em 1881, 42 anos depois da criação do Distrito de Bambuí, um grupo de homens de liderança e visão política, entre os quais se colocam o Capitão Antônio José Torres, Antônio Dias de Menezes, o Vigário Protásio Rodrigues Chaves de Magalhães, conseguiu a aprovação de uma lei elevando o Distrito a Vila. Esta Vila foi desmembrada da Comarca do Rio Grande e passou a ser incorporada à de Piumhi. Pela lei provincial número 3.122 de 18 de setembro de 1883 a Vila de Bambuí adquiriu autonomia.
O 1º Juiz Municipal
Foi o cidadão Antônio Dias de Menezes que presidiu a primeira audiência do Termo em 18 de julho de 1885. Em 10 de julho de 1886 o artigo da Lei nº 3.307 conferiu à Vila de Bambuí o fóro de cidade.
Por ato de 22 de fevereiro de 1886 foi classificada como Comarca de primeira Entrância, sendo seu primeiro Juiz de Direito e Instalador, o Dr. Camilo Soares de Moura.
O 1º agente executivo
Tomou posse em 17 de janeiro de 1885 foi o cidadão Antônio Almada.
A eleição da primeira Câmara Municipal
Deu-se em 1884 e seus membros foram: Máximino Severo da Silva, José Bahia da Rocha, Antônio Almada, José Vital Zeferino, José Luís de Souza, Manuel Alves de Oliveira e Herculano José Ferr eira".
Em 1945 chegam em Bambuí, seus filhos heróis que participaram da Segunda Guerra Mundial, recebidos com muita festa e missa em ação de graça: Cap. Alberto Chaves, Antônio Carlos de Andrade, Sgt. Arcanjo Gabriel da Silva, Argemiro Caetano de Oliveira, Aurélio Lopes de Souza, Claudino Gonçalves, Elias Saad, José Chaves Bahia, Cap. José de Oliveira Campos, Manoel Protázio da Costa, Pedro Magalhães Chaves, Sebastião Ferraz e Sudário José da Costa .
Em 1889 falece o Pe. Protásio Rodrigues Chaves Magalhães.
A partir de 1911, com a inauguração da estrada de ferro,
Bambuí teve seu progresso acelerado.
Servida pelas BRs-262 e 354, Bambuí dista de Belo Horizonte 246 quilômetros. Sua principal produção mineral é a extração de caolim, e a agrícola é o café, arroz, milho e soja.
Emancipada: 1886
Altitude: 706 m
População: 21.852 habitantes
Área Total: 1.459,6 km²
Dens. Demográfica: 14,97 hab/km²
Em 1905 foi criada uma charqueada pelo Sr. Alibrando Luchesi, dando emprego para mais de 160 pessoas.
Em 1925 é inaugurado o primeiro cinema do Sr. César Giannecchinni

Administrações à partir de 1945 Bambuí
De 1947 a 1951
Prefeito-Antonio Paulinelli de Carvalho,pai de Alysson Paulinelli -Ex -Ministro da Agricultura, natural de Bambuí. Era vice José Au- gusto Chaves e Presidente da Câmara , Juarez de Castro
De 1951 à 1954
Dr.Wander de Andrade e tinha como vice-Sr.José Augusto Chaves .O presidente da Câmara foi Dr. Di- lermando Alves da Cunha
De 1954 à 1959
Foi prefeito Sr.José Augusto Chaves este saiu faltando 101 dias para o termino do mandato, assumindo o Sr. Vice-prefeito José Bruno da Cunha
De 1959 à 1962
Novamente o Dr. Wander de Andrade e teve como vice Dr.Joâo Moreira Magalhães; o presidente da Câmara - Raul Alves Ribeiro
De 1963 à 1966
Foi prefeito Dr.João Magalhães e vice-prefeito Dr. Dilermando Alves da Cunha Predidente da Câmara era Avelino Rodrigues Silva .
De 1966 à 1970
O prefeito Municipal foi Gil Torres ,em acidente de automóvel morre sua mulher. Ele fica hospitalizado e durante algum tempo a prefeitura é assumida pelo vice, Mauro Cardoso .Restabelecido o Sr.Gil Torres retorna mas é por pouco tempo .Falece a 02 de março de 1970.Era presidente da Câmara o advogado Ênio Machado .
De 1971 à 1974
Foi prefeito José Brito da Silva ,o seu vice Raul Alves Ribeiro .O presidente da Câmara, João Evangelista Bahia .
De 1974 à 1978
Foi prefeito Domingos José de Cravalho,seu vice Ênio Machado.João Evangelista Bahia era o presidente da Câmara até o seu falecimento Assumiu a presidência o vice, Sr Otacílio Cirilo da Silva .
De 1978 à 1982
Pela segunda vez , o Sr José Brito da Silva .O presidente da Câmara doi o professor Alexandrino Batista Fernandes
De 1982 à1989
Foi prefeito o Sr. Neysson Paulinelli de Oliveira, tendo como vice Geraldo Carvalho e como presidente da Câmara José Otaviano Dias, Sebastião Rostaing Mourão, Ivo Aparecido de Mendonça.
De 1989 à 1993
Foi prefeito Antonino José Martins, tendo como vice Otacílio Cirilo da Silva e como Presidente da Câmara Municipal, José Ribeiro Filho e Sebastião Rostaing Mourão.
De 1993 à 1997
Novamente o Sr. Neysson Paulinelli de Oliveira foi prefeito municipal, teve como vice José Miranda Souto, e como presidente da Câmara Municipal o Sr. Sebastião Rostaing Mourão.
De 199 7 à 2001
Foi prefeito o Sr. Paulo Irene de Faria tendo como seu vice Onofre de Oliveira Faria, como presidente da Câmara Municipal o Sr. Aloísio de Carvalho e Samuel Mariano da Silva.
De 2001 à 2004
Foi prefeito, pela terceira vez o Sr. Neysson Paulinelli de Oliveira seu vice Antonino Martins, como presidente da Câmara o Sr. Rafael Bolina Júnior e Sandro de Carvalho.
Circuito da Canastra
Araxá, Bambuí, Campos Altos, Ibiá, Medeiros, Perdizes, Sacramento, São Roque de Minas,São João Batista do Glória, Tapira e Tapiraí são cidades da região mineira do Alto do Paranaíba que fazem parte do Circuito da Canastra.
Os municípios deste circuito caracterizam-se pelo clima ameno, bela paisagem e a tranqüilidade que o turista pode usufruir. Próximas ao Parque Nacional da Serra da Canastra, região de cerrado e predominantemente rural, essas cidades produzem riquezas locais como o queijo, o café e o leite, e são conhecidas por suas deliciosas quitandas e quitutes bem mineiros.
O início do povoamento da região aconteceu em local conhecido como Desemboque, quando atraídos pela mineração do ouro, aventureiros acreditavam que essa seria mais uma promissora área de mineração. A atividade mineradora, iniciada em 1743, já estava em franca decadência antes do final do setecentos.
No entanto, “todas as cidades da região tiveram suas origens nesta minúscula vila habitada por gente hospitaleira.” (Guia de Turismo Sacramento e Região). Mas, ela só foi encontrar sua identidade a partir da década de 70 do século XVIII, quando as primeiras fazendas começaram a se instalar no local onde hoje é a cidade de Araxá, devido às férteis terras.
Tesouros naturais não faltam por ali. Suas matas guardam redutos para aventuras, desafios para quem gosta de ecoturismo. Paisagem de serras e vales, cachoeiras, paredões de pedra prontos para serem escalados, pequenas matas e muito mais.
No Parque Nacional da Serra da Canastra, o grande atrativo do circuito, estão várias espécies de animais silvestres e uma exuberante flora característica dos campos rupes tres e do cerrado.
O relevo é constituído de chapadões de até 1.496 metros.
O parque abriga também inúmeras nascentes, corredeiras, cachoeiras de águas límpidas e cristalinas, além de lagos, grutas e cavernas que ainda escondem insondáveis segredos. E é na Serra da Canastra que está a nascente e a primeira queda do Rio São Francisco.
Outros grandes destaques desse circuito são: o Complexo do Barreiro, em Araxá, com suas fabulosas águas minerais; a Gruta dos Palhares, em Sacramento; e os sítios arqueológicos, em Ibiá.
O Circuito Turístico da Canastra foi certificado pela Secr. de Estado de Turismo em MG 1º de maio de 2005.

Doces Lembranças- Depoimentos de bambuienses ausentes

Como diz uma velha canção :
Eu ontem sonhei com você ”
E para recordar nesses tempos de comemoração, nada melhor do que bambuienses ausentes falando sobre suas doces lembranças de nossa querida Bambuí. A equipe do JC transcreve alguns depoimentos de bambuienses ausentes lembrando de nossa terra.
São depoimentos tão saudosistas , lembranças tão doces, que sai até algumas lágrimas nos olhos ao lê-los!
Estes depoimentos são verdadeiros presentes de Aniversário quando Bambuí completa 122 anos de Emancipação Política
(Bambuienses Saudosistas )

Marli oliveira Souza
"De tudo de bom que vivi em Bambuí, minha querida terra natal vou começar pela educação que recebemos até dos puxões de orelhas de meus pais. Ginásio Antero Tôrres, Colégio Estadual, professores maravilhosos que ali tivemos, Praça de Esportes, Educação física com a Darcy.
Eta saudade do Sargento que nos ensinava jogar voley e não sabia jogar. Brincar de pique, jogar queimada e outros tantos joguinhos que faziam parte também .
Saudade do cinema, da bala chita. Carnaval... Nossa, são lembranças demais!... Serenatas, Circos, Parques... até do apito das máquinas: .Vem uma lembrança tão gostosa!.. BAMBUÍ/ PAPAI!!"

Dr.Francisco Cardoso
"A velha gameleira do Grupo Antônio Tôrres traz para mim um monte de lembranças. Nem todas boas. Uma vez levei uma pedrada na testa, no meio da meninada tentando derrubar os figos maduros. Outra vez caí em cima de uma pedra e abri uma brecha no joelho cuja cicatriz me acompanha até hoje. O Dr. João deu os pontos, no hospital.
A gente ficava ali perto dela no recreio, uma turminha bem amiga: Otinho (saudades do Péla), o Herbert (filho do Dr. Jandir) e Leonardo (do Galeno Andrade). O Messias corria em cima do muro, chamando todo mundo pra briga. Nunca vi um menino tão esperto e bom de briga! Os meninos morriam de medo dele e alguns até pagavam pedágio para nao apanharem (o Helton, do Dr. Jandir era um deles, dizem....)". Tempinhos bons.. .

Amarildo Germano
"Minha infância foi riquíssima, parte na roça e parte na cidade. Na roça, noite de lua cheia era sinal de que visitaríamos algum vizinho, algum tio. Qualquer visita era sinal de festa pois eram muitos filhos, muitos primos (só do lado da minha mãe somos 49), muitas brincadeiras, muita criatividade.
Lembro muito das festas na roça, as festas de Reis, bailes, novenas, era tudo muito saudável e como haviam crianças! Na cidade vivia completamente solto, sem medos, no meu quintal, nos quintais dos vizinhos, ruas, pastos, futebol, pique-esconde no quarteirão inteiro a mais das vezes com mais de 20 crianças, passeios de bicicleta, passeios na roça, o Antero Torres, o Estadual, a Praça de Esportes, pic-nicks na Pechincha, no Poço Azul, na Lagoa da Pedra. Tantas brincadeiras de criança existiam, bola-de-gude, pique-esconde, pé-na-lata, camon, bente alta, malha, finco, flecha, bodoque, estilingue, pipas. Aconteciam alguns modismo interessantes: haviam períodos de coleção de figurinhas, outros de coleção e revistinhas, criação de coelhos, criação de galinhas garnizé, criação de pombos (pode?), coleção de chaveiros, coleção de marcas de cigarro, coleção de calendários e para tudo isso havia muita negociação, trocas, vendas etc. Isto é só um pouco, tenho que agradecer a Deus pela infância que tive.
Minha juventude foi também muito rica, meus tempos de Colégio Agrícola (hoje Cefet), as brincadeiras, os trotes, as festas, quantos amigos, as voltas na pracinha, os primeiros olhares, os primeiros namoros, as paixões arrebatadoras, os recreios no José Alzamora (peguei o início das aulas noturnas lá, nem sei se permaneceram), os recreios no Colégio Estadual, os recreios no Colégio da Hebe, os primeiros bailes no Cantinho do Céu, os primeiros bailes no Bambuí Clube, carnaval,exposição agropecuárias.
Tinham alguns clubes noturnos que nem me lembro o nome, na praça, subindo para o Cerrado, Boi na Brasa, Bambuzinho, Cê-que-sabe.
Boas lembranças de minha querida Bambuí que guardarei para sempre!"

A Cidade de Bambuí

A economia de Bambuí está centrada na agropecuária e mineração.
Seus primeiros habitantes descendem dos índios caiapós e dos negros dos quilombos de Campo Grande.
Bambuí conserva até os dias de hoje os bens com que a natureza a contemplou. Vastas serras e mananciais de ímpar beleza compõem o cenário ideal para o turismo ecológico, esportivo e de lazer.

 Atrações


Rio Samburá

Santuário São Sebastião

Prédio da Câmara Municipal

Igreja N. Senhora Imaculada

Coreto da Pça Coronel Torres

Lagoa da Pedra

Arcoradouro da Pousada

Bambuí precisa de você!

 “Você privará esta geração dos sonhos que você tem? Você destituirá esta geração e a próxima levando o tesouro que Deus lhe deu para o cemitério?”

Pergunto-me: o que você traz em seu íntimo neste exato momento?
     Você tem idéias e sonhos; todos temos! Escondido em seu coração, lá no íntimo, está um mundo de riquezas guardada dentro de você. Trancado lá no íntimo, está um projeto que hesita em fazer, por temer que ele não seja aceito!
     Cada indivíduo é uma arca de tesouro vivo. Você, como os demais, possui a responsabilidade de liberar este tremendo tesouro escondido dentro de você. A responsabilidade para usar o que Deus armazenou dentro de você é toda sua, por isso, faço-lhe um convite:
     Comece já a sair desse ostracismo!
     Bambuí está precisando de seu potencial. Vamos reunir, a outros, formar um elo, uma corrente para colocar projetos para frente.
     Outro dia conversando com uma amiga, falávamos exatamente sobre isso, de pessoas que após a sua aposentadoria, poderiam contribuir para ajudar os drogados a dizerem “não” às drogas. Discutíamos sobre implantar uma “Fazendinha”, onde os jovens poderiam recuperar para a vida, através das plantas, criação de animais... Precisamos de gente como você, que tem um tesouro guardado lá no íntimo!
     No momento, estou idealizando um projeto, de qualidade de vida, direcionado aos jovens de Bambuí, onde eles teriam oficina de: música, esporte, inglês, informática, artes plásticas, culinária, aulas de reforço; mas preciso de apoio, de voluntários para iniciá-lo.
     Vamos junte-se a nós!
     Não leve o tesouro que tem dentro de você para o cemitério. Apresenta também um projeto de sua autoria para contribuir com algo pela cidade que tanto amamos, nossa querida Bambuí centenária! Telefone-me! Vamos fazer alguma coisa pela nossa cidade! Ela está mudando a cara! Vamos contribuir para algo! Vamos convidar uma colega, um amigo influente lá fora que poderia ajudar a financiar algum projeto para o desenvolvimento de Bambuí.
     Vamos contribuir para Bambuí voltar aqueles dias de glória que teve no passado através do esporte, artes plásticas, carnaval, música, teatro, festas!
     Pense nisto e Bambuí agradecerá pela sua contribuição!

Bambuí, 120 Anos de Emancipação Política

 

     Sua origem remonta há mais de um século. Um dia, precisamente em 1686, o espírito cívico da Vila de Sant’Ana entoou o hino da emancipação. E assim livres, partiu para o desenvolvimento. Seus primeiros passos, ainda que inflexíveis, tornaram-se fortes e cheios de confiança no futuro.
     Sua descendência cuidou e cuida de seu desenvolvimento com carinho e amor. A Igreja da Conceição, a Matriz de Sant’Ana, o Coreto, a Câmara, outrora construídos, testemunham o ontem presente hoje. As transformações e o desenvolvimento, dentro do possível, mostram a evolução da cidade, para melhor.
     Gerações marcantes em cada época mostraram seu imenso amor à nossa Bambuí. Engrandeceram e se afeiçoaram à terra. Espaços foram ocupados com carinho e amor, no desenvolvimento desta terra.
     Bambuí centenária nos alegra e nos envaidece.
     Não pára no tempo e aspira um desejo de crescer, tornar-se um dia uma cidade metropolitana.
     Seus filhos e visitantes jamais se esquecerão de você, querida Bambuí!
     “Quem te conhece não te esquece jamais”, diz uma velha canção.
     Parabéns, Bambuí, de coração e com muita fidelidade, seus filhos ressaltam o amor e o carinho a você neste dia e sempre.

Bambuí Amada

Nancy Gonçalves Dias

Bambuí amada
Idolatrada
Que se enfeita
Para os filhos esperar.

l0 de julho
Data festiva
Alegria explode
No mar de gente
Cumprimentando
Se abraçando
E na pracinha
Tagarelando

Bambuí querida
Pelos seus filhos
Que aqui retornam
Para desejar
Parabéns para você.
Cidade amada
Tão centenária!
Velhos casarões
Hoje quantas mansões
Roupagem linda
Beleza explodindo
Um amor de cidade
Nossa querida Bambuí!

No Álbum

José Aloise Bahia

Imagino algumas fotografias a mais
impregnadas de rostos e paisagens.
Grandes personagens, pequenas histórias,
em cada uma delas uma presença, uma ausência.
Quanta luz se passou no tempo
do desejo em relembrar:
as narrações do Zé Quinta-Feira
os discursos da Maria Doida
as expressões do Vitalino Tadeu
os causos contados por Gatinho
sua mulher e 13 filhos
as delongas do Morta Égua
as recepções da Cordolina
os esmolares do Galo Capão
as comilanças do Juquinha Gordo
os conhecimentos naifs do João Jia
a matriz antiga no alto do morro
as idas e vindas do Grande Circo Berlim
os murais sagrados do Santuário São Sebastião.
Infelizmente – nenhum destes encontros
tenho registrado.
Só disponho de lembranças e imagens
que sementeiam milagres
Elas moram na memória assombrosa
guardadas a sete chaves de ouro
nesta rebeldia e fêmera.

Dr. Antônio Torres Sobrinho, um homem, seus sonhos e realizações. Mãos que ajudaram a nascer tantas esperanças e descobriram tantos males na vida, curando-os.Médico e Doutor em Medicina, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, foi um homem além de seu tempo. 

“Meu pai. Um homem, seus sonhos e realizações.
Mãos que ajudaram a nascer tantas esperanças e descobriram tantos males na vida, curando-os.
Médico e Doutor em Medicina, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, foi um homem além de seu tempo.
Imagina-se em 1927, alguém preocupado em encontrar um modo científico de provar o sexo do feto? Pois sua tese de doutorado, apresentada a 25 de fevereiro de 1927, e defendida a 21de março do mesmo ano, teve como tema: “O soro sanguíneo do feto a termo não dá anticorpos específicos para sexo.” Foi aprovada com distinção.
Sabemos que a medicina de um homem é feita de momentos, disseminados como respingos de tintas sobre a tela da vida. Tudo que você foi um dia, tudo que ainda virá a ser, reside nas pequeninas escolhas, aparentemente sem importância, da vida diária. As decisões se acumulam até o dia em que você se dá conta de que elas o fizeram a pessoa que é, e em quaisquer tempos, ouvirá o eco de risos e palavras, de caminhos tomados, silêncio aconchegante e terno de um passado recente e distante, sussurros que se foram, minutos e momentos efêmeros, pois afinal, o passado e patrimônio do nosso presente.
Meu pai dizia que o destino de cada um está escrito em letras douradas e pretas. Isto significa que em todas as situações da vida, há sempre, um aspecto positivo – as letras douradas, e um aspecto negativo – as letras pretas. Ele me ensinou que não pretendêssemos apenas um dia de ouro. Dia algum seria igual.
Soube deixar que se fossem os tempos mais difíceis e escuros e se preocupou em viver os seus ideais. Numa época, em que a medicina teria quase recurso algum, conseguiu curar doenças incuráveis na época, quase sempre letais. Como exemplo uma febre puerperal gravíssima, de D. Eurídice Severo, esposa de seu querido amigo-irmão, Sr. João Severo, que depois ainda, deu à luz a vários outros filhos. Houve, no decorrer de sua vida centenas de casos dificílimos para a época, que, com a graça de Deus, foram curados. Apenas quando sua turma de medicina se reunia no Rio, para comemorar os dez anos da formatura, se conheceu a notícia do aparecimento da SULFA, que segundo ele, foi um verdadeiro milagre para o exercício da profissão, uma ajuda inestimável. Meu pai foi uma pessoa que acompanhou os progressos todos, aceitando-os com prazer. Mas dizia que as mãos do médico eram sagradas para os exames e diagnóstico. As máquinas e exames científicos seriam de ajuda inestimável e imprescindível mas o exame pessoal, o toque do médico, as mãos, jamais poderiam ser substituídas. “Mãos sagradas, mãos que os lírios invejam” segundo um grande poeta.
Junto ao seu tio Dr. Antônio Torres e seu amigo, o médico José Elias Lasmar reunidos a vários membros da sociedade bambuienses, como seus irmãos, os advogados Niso e Mozart Torres, fazendeiros, o Sr. Plínio Malfitano, o Sr. José Guimarães Machado, o Sr. Messias Pedro de Carvalho, o Revmo. Pe. João Veloso, e inúmeros outros ilustres filhos de Bambuí, cujos todos seriam para mim, impossível enumerar, fundou a Irmandade de Sant’Ana que, entre amigos e familiares, com carnês mensais, reuniram dinheiro para a construção da Santa Casa de Misericórdia de Bambuí, depois, Hospital N. S. do Brasil. Ninguém esperava lucros ou louros, apenas sabiam que uma tarefa bem desempenhada é sua própria recompensa.
Meu pai era alguém que nos fazia olhar a vida de outra maneira. Alguém que nos abria as janelas da alma para que a luz da esperança sempre pudesse penetrá-la. Ele achava que a pessoa que constrói a sua própria prisão e tranca todas as suas emoções e sentimentos não é livre, e quer ser ator principal de sua vida, significa refazer caminhos, reconhecer erros e aprender a deixar de ser aprisionado por pensamentos e emoções. Dizia que ninguém pode roubar seu amor próprio. Cabe a você mantê-lo ou descartá-lo. Somente você pode escolher entre segurá-lo como sua força de vida, ou separar-se dele e se deixar viver com insensatez e hipocrisia. Honestidade, integridade, compreensão, muito amor, são indispensáveis em seu dia-a-dia, em seu caminhar.
Foi, imensamente, preocupado com a melhoria de nossa terra, com uma melhor qualidade de vida. Pensando assim, comprou mudas de árvores e com aquiescência do prefeito,Sr. Wander de Andrade, iniciou a arborização da cidade de Bambuí, a Rua Antero Torres no dia 02 de agosto de 1953, com a primeira árvore sendo plantada pelo Sr. Prefeito, em frente a casa de Antero Torres, cujo aniversário se comemora neste dia. Foi uma grande cerimônia importante para os que têm sabedoria para respeitar e proteger a natureza – todas autoridades bambuienses e sua sociedade da época, ricos e pobres, doutores ou analfabetos.
Sabendo que a educação e instrução fazem parte integrante indispensável de qualquer sociedade, e tendo conseguido fazer os preparatórios (1º e 2º graus, hoje) com grande dificuldade financeira e muito trabalho, em Lavras e Ouro Preto, longe dos seus, sonhava em que os jovens de sua terra pudessem estudar, se preparar melhor para a vida, estar um pouco mais junto às suas famílias, sem com tudo se estagnarem no tempo. Assim, idealizou e incorporou o ginásio de Bambuí S.A. Entidade fundadora do Ginásio Antero Torres, cujo nome indicado pelo Sr. José Arimatéa Mourão foi aprovado pelos demais em homenagem ao pai do fundador. Todos conhecem a importância desta escola para nossa terra e região.
Construiu amigos, enfrentou derrotas, venceu obstáculos, realizou sonhos, bateu à porta da vida e lhe disse não ter medo de vivê-la. Foi um líder, reconhecia sua pequenez, extraia força de sua humildade e experiência de sua fragilidade, não procurou ouro na sociedade, mas na sua sabedoria, garimpou ouro no solo de seu próprio ser. Tinha uma luz interior que o fazia caminhar sem medo de viver...
Falava que ser saudável não estar sempre bem humorado. Ser saudável é aprender a ter encanto pela vida, mesmo depois dos golpes e tristezas.
Ser sábio não é deixar de falhar, nem de ter atitudes tolas. Ser sábio é reconhecer estas atitudes e utilizá-las, e deixar de ser submisso as misérias psíquicas. Que os mais fortes também, tem seus momentos de fragilidade. As pessoas mais cultas passam por momentos de incoerência. Que o ser humano mais gentil também, perde a paciência. A pessoa mais rígida e auto-suficiente derrama suas lágrimas, ainda que escondidas. Dizia que, em alguns momentos, você iria ficar decepcionado consigo mesmo e com as pessoas que ama. Mas não reclamasse, pois não há pessoas perfeitas. Não só de sucessos vive o ser humano, mas da convicção de que nas dificuldades podemos escrever os melhores textos de nossas vidas. Ensinava que é preciso dialogar com as pessoas ao seu redor, surpreendê-las, descobrir-lhes a vida. Que se faça agradáveis mesas redondas consigo mesmo, revise suas rotas, refaça seus caminhos, gerencie seus pensamentos, administre sua emoção. Que seja um amigo da arte e da dúvida e um amante da arte e da crítica. Explicava que a vida é obra-prima do autor da existência e que deve ser tratada como nosso maior tesouro.
Sempre à frente do amanhã, reunido aos Srs. José Bruno da Cunha, José Augusto Chaves, o odontólogo, Gabriel José de Campos, os médicos: Rui Chaves e João Moureira Magalhães, Juquinha Bahia, o médico José Henriques Cardoso, Francisco Cardoso da Costa e o Revmo. Monsenhor José Aparecida Pereira, fez parte da diretoria fundadora da Companhia Telefônica de Bambuí, cuja sede foi edificada à Rua Capitão Joaquim Eliziário A. de Magalhães, esquina com a Rua Olívio Alves Ribeiro. A inauguração se fez no dia 01 de fevereiro de 1959 entre 11:00 hs e 12:00 hs. Muitas pessoas de Bambuí trabalharam e se empenharam enormemente para que este progresso se concretizasse. O primeiro foi de número 300, atribuído à própria companhia telefonia, e o de número 301 foi para meu pai.
E Bambuí, a cidadezinha que dormia, a cidadezinha do poço do Jacaré, do Vitalino Tadeu, da Joaninha, do Pedro Mutuca, cheia de árvores que a rodeavam, enfeitavam e sempre pareceram envoltas, em mistérios para os mais jovens, recebia o progresso pelas linhas do telefone, pelo trabalho e desvelo de tantos filhos seus.
Preservar a memória da sua terra sempre o preocupou. Foi assim que em 1943, promoveu a reforma da Igrejinha de Nossa Senhora da Conceição e os documentos relativos foram colocados num portal da mesma. Fez isto em memória de Antero e Alcida Torres. Meu pai me falava que o ser humano é muito bonito! Está cheio de doçura e força de uma beleza serena e profunda. É surpreendente em alguns momentos, e nunca sabe o que vai expressar. Não é como uma obra perfeita de linhas construídas com cuidado e técnicas do homem .Em suas aparentes imperfeições, nota-se a mão de Deus em sua expressão, sempre se descobre a alma. Para ele mesmo os menores e mais insignificantes gestos assumiam um valor único, uma rara preciosidade que jamais retornaria.
Sempre se interessando pelos males da humanidade procurava os mais atualiza dos e sábios e por isto, que descobriu aqui em Bambuí, o primeiro caso da doença de Chagas, em Maria Albina, criança, filha de “Sá. Idala”, ainda hoje, vivendo bem em Belo Horizonte, casada e com os filhos. Ele tinha organização de um cientista e tudo foi devidamente documentado com fotos. Aliás, ele enumerou, depois os muitos outros pacientes e sempre havia as fotos documentais. Atualmente, foram doados ao posto de estudos avançados de Dr. Emanuel Dias, juntamente com a comenda Carlos Chagas, recebida como reconhecimento de seu trabalho.
Recebeu,também, a medalha da Inconfidência, honra conhecida pelo Estado de MG,entregue em Ouro Preto, para os que se destacam, enormemente, em determinada área de seu Estado,e ainda para alguns que não sendo mineiros, recebem essa honra do governo do Estado.
Ele com paciência, afeto e sabedoria ajudou muitas pessoas a descobrir dimensões mais profundas e a escolher caminhos com a maior liberdade, a ter sorrisos enriquecidos por lembranças par tilhadas. Hoje,eu sei cheirar o desdobrar da amanhã, trazendo consigo os perfumes do dia e me preparo para recebera as alegrias e tristezas do caminhar.
O pesar da ausência das pessoas que amamos pode se apagar, aos poucos, de nossa memória. Acho que é o modo com que a natureza nos faz sofrer menos, a cada dia. Mas, o que importa, de fato,é sabermos quanto os amávamos e quanto eles nos amaram, também. Isso nunca vai desaparecer com o tempo, porque o coração jamais esquece. Quando alguém tão grandioso viveu,este alguém sempre viverá!
Pai: estreito a palavra no coração com receio de pronunciá-la e perder o sentido profundo e amoroso do termo. Sempre estarão presentes as horas que passei á sombra de seus gestos, bebendo de sua sabedoria o perfume dos sorrisos e as misteriosas e surpreendentes palavras dos véus da alma Você é eternidade!”
Lucy e Fernandes Pinto

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